quinta-feira, 20 de junho de 2013

Não é preciso ser Polêmico, Basta ser Prático: Assunto - Cura Gay

    Não sou a favor da cura gay, justamente porque não se pode curar aquilo que não é doença (aqui quem fala é o Marcos Holanda de 2026, vindo aqui 13 anos depois para concertar falas horrorosas do passado). Eu já fui homofóbico quando estava envolvido até as entranhas no mundo evangélico e achava que a minha existência era um erro (a doutrinação evangélica incumbe esse pensamento em nós para autodestruição). 
    Saibam vocês que dessa publicação pra cá eu evolui muito como ser humano e saí daquele ambiente que queria me fazer sentir um ser humano execrável cheio de dor, e abominação e palavras de condenação. Vocês que me acompanham na internet há anos sabem bem o amor incomensurável que eu tenho pela música e o sonho que sempre tive em gravar alguma coisa, lançar CD's, enfim (isso na época do CD). Esse sonho quase foi destruido em 2015, numa época em que eu fazia parte da Assembleia de Deus - Congregação Santa Efigência IV no Bairro Santa Efigênia em São Luís - MA (lugar onde morei por 16 anos.) Eu sempre tive um jeito delicado, uma voz feminina e trejeitos delicados (uma coisa que muitos homofóbicos não entendem é que o desejo, a sexualidade, os trejeitos são coisas naturais que fazem parte da nossa sexualidade, e eu vou um pouco além... Fazem parte da nossa personalidade). Eu fui perseguido nessa época por conta disso pela própria liderança da igreja a qual eu frequentava, todos eles foram terrivelmente implacáveis e isso trouxe muitas feridas e traumas que eu trato até hoje (03/01/26 - data da reformulação dessa publicação). 
    Isso tudo me trouxe depressão, falta de vontade de viver e por um tempo (precisamente no ano de 2017, vontade de cometer suicídio - coisa que eu nunca consumei graças a Deus). Carreguei uma mágoa estúpida durante 7 anos da minha vida (digo que é estúpida porque só me martirizou em vão, enquanto os meus opressores viviam suas vidas tranquilamente.) 
    Frequentei igrejas inclusivas em São Luís entre 2017 e 2019 mas as minhas experiências pessoais não foram boas ("para mim" deixando bem claro "opinião pessoal", conseguiram ser piores que os tradicionais, porém não generalizo, talvez eu só não tenha tido sorte), enfim, você que está nessa situação que eu estava e tem vontade de visitar uma igreja inclusiva vá e tire suas próprias conclusões - é importante que você avalie por si mesmo o que é bom pra você, reforçando minha fala anterior; estou dando aqui apenas a minha opinião baseada em minhas vivências. 
    Com tudo isso o "idiota aqui" kkkk (estou falando de mim mesmo) ainda foi dar murros em ponta de faca novamente entre 2022 até fevereiro de 2024 por ter conseguido conquistar finalmente a oportunidade de gravar o meu repertório gospel engavetado há 11 anos. Eu fiz até uma enquete no meu canal no Youtube e no meu perfil do Instagram querendo que a minha  audiência opinasse se eu permaneceria no gospel ou se partiria para o secular (mesmo já com a decisão tomada de ir para o gospel kkkkkkkkkkkk)


    Embarquei nessa onda por mais um tempo, convicto de muitas coisas mas ainda com uma esperança que não sei de onde vinda. Era só vontade se ser aceito e amado. Em 2023, lembro como  se fosse hoje,  dia 24/05/2023, minha mãe me convidou compulsoriamente a participar com ela de um culto da "Família" na Assembleia de Deus aqui da minha cidade (Governador Nunes Freire - minha cidade natal e onde resido atualmente), esse dia eu tinha recebido o resultado da minha aprovação na prova da OAB, eu estava feliz porém mentalmente cansado e estressado, fui com ela completamente sem vontade (ir à igreja de novembro de 2022 em diante estava um saco por conta da derrocada do ex-presidente, atual e  sempre delinquente Jair Bolsonaro, esse foi  um dos motivos que me fez desistir... A igreja ter virado um circo e palanque político).
    Naquele dia tinha um "pregador" que também era professor universitário e pastor, meeu Deeeus! Esse  homem bostejou tantas barbaridades em cima desse púlpito, falou sobre o Kleber Lucas, sobre a transição da Jotta A, falou sobre Lula amaldiçoando a sua conquista, falou sobre ideologia de gênero... Enfim,  foram incontáveis crimes que esse pangaré proferiu, que  não sei  nem como classificar. Daquele dia em diante eu  disse pra mim mesmo que jamais voltaria a ir em qualquer culto intitulado "de Família". E assim eu fui saindo até não ir mais.
    Quero deixar claro que não  deixei  de crer em Deus e também a minha fé não  foi abalada, o que mudou foi a minha consciência masoquista que foi extirpada. Qual  a lógica  de um Deus te criar com a predestinação de ir para o inferno? Criou por que então? O livre  arbítrio pra mim soa ilusório,  é meramente ilustrativo, somos  bonequinhos de barro na mão de um Deus criança que é narcisista. 
    Uma coisa  que  me incomoda muito no meio da imundície gospel é o fato de colocarem os LGBTQIAPN+ sempre como escória,  como  lixo, como margem ou defeito a ser corrigido. Eu tenho aversão a esses tidos "curados da homossexualidade", pois eles são um desserviço tremendo à luta pela vida e por direitos. Esse pobres diabos não entendem que que nunca serão aceitos no meu evangélico tradicional e ainda estão passando a maior vergonha perante a comunidade LGBTQIAPN+. É loucura, em analogia é como se uma vaca começasse a apoiar os açougueiros kkkk 
    O interessante é que eles fazem questão de enfatizar a vida miserável que tiveram para demonstrar que as vivências do gay, da lésbica ou das pessoas transgênero só podem ser aquelas: prostituição, miséria, rejeição, vícios, drogas e afins. A  afirmativa não é verdadeira, há muitos LGBTQIAPN+ que tem profissões, são pessoas sem vícios, tem moral respeitável, enfim mas mostrar o outro lado da moeda não é conveniente para o papel que se quer mostrar para vender uma história fajuta. 
    Ninguém escolhe sua própria sexualidade, é possível suprimi-la para tentar se encaixar num núcleo de falsa aceitação ou acolhimento. Terapia de conversão sexual ainda não é crime mas desde 1999 a Resolução CFP nº 01/99 proíbe os psicólogos de a praticarem, pois a homossexualidade não é considerada uma doença, distúrbio ou perversão. O código de ética profissional determina que a psicologia deve promover o bem-estar e combater o preconceito, não tentar "curar" a orientação sexual de alguém. Há projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional mas infelizmente ainda não é tratado como crime autônomo.
    Eu me pergunto, em que que as vivências dos outros afetam a sociedade num todo? Enquanto a religião for o norte da sociedade brasileira passaremos todos os  dias por discussões inúteis que em outros países já foram superadas, mas que em aglomerados de países do oriente médio, ser quem você é pode lhe custar a vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário