Esta
semana a divulgação da nova coleção unissex da C&A de roupas sem gênero
causou a indignação e o descontentamento de muitas pessoas (falo especificamente dos
evangélicos), inclusive a cantora gospel Ana Paula Valadão, que divulgou nas
redes sociais (Facebook) a sua indignação pelo que ela classificou como
ideologia de gênero, e sugeriu aos seus seguidores que promovessem um boicote
na loja, para que ninguém comprasse seus produtos e nem os referentes a linha de roupas da campanha.
Imediatamente muitas pessoas condenaram e atacaram a cantora
com palavras contrárias e muitos ataques. Esse movimento de protesto da
rede, foi intitulado como “vomitaço”. Muitas
pessoas se manifestaram nas redes sociais como: Instagram, Youtube, Twitter e
demais. A Youtuber Transexual Amanda Borges do canal Mandy Candy o qual eu sigo e
gosto muito, expressou também a sua opinião contrária a fala de Ana, com muito conhecimento de causa, colocando os evangélicos como uma laia que se mete na vida de todo mundo,
não dando direito às pessoas a serem o que são, sendo que nem todos os evangélicos concordam com a posição de Ana Paula (não se pode generalizar) É aquela velha frase: nem todo evangélico, mas sempre um evangélico kkkk.
(Ana Paula Valadão e um trecho do seu pronunciamento no Facebook, essas figuras representam o vomitaço)
Agora
de forma imparcial e equitativa vou expressar a minha opinião sobre o ocorrido. Acredito
que a opinião de Ana Paula Valadão ou de Mandy ou de qualquer outro cidadão é
um direito legítimo de um país democrático assegurado pela Constituição Federal
de 1988. Mas toda opinião deve ser pautada de conhecimento de causa e
racionalidade e ciência de consequências.
Ana
Paula Valadão como cidadã expressou sua opinião, mas a meu ver, opinião que ninguém pediu. Esse tipo de manifestação é estupida e sempre causa em todos os casos, efeito reverso. Quando você fala mal de alguém pedindo para que seja feito boicote, a maioria das pessoas vai atrás do alvo em questão para saber do que se trata (nesse ponto o engajamento de quem era para ser boicotado já aumenta) e aquilo que era pra ser negativo passa a ser positivo. Em contrapartida, os apoiadores da causa somam esse engajamento negativo trazendo muito mais engajamento, entende? Foi isso que Ana Paula conseguiu, aumentar ainda mais a porcentagem das vendas da C&A. Sobre a fala da Mandy, durante muito tempo eu achei um pouco radical, mas depois eu fui perceber que foi bem a altura da violência que foi cometida conta a população LGBTQIAPN+. A questão aqui não são as roupas, é a invalidação e a negativa de toda uma população em existir e ter espação, simples assim. Ela como mulher trans bem sabe como a letra T da sigla sobre e é privada em todo tempo de sua subsistência.
(Amanda Borges, a Mandy Candy do canal Mandy Candy no YouTube)
Não é privilégio, andar na rua, comer, estudar e trabalhar, é necessidade. Sentir-se parte da sociedade, incluso em todos os aspectos é um direito. Com base na evolução de pensamentos e tantos entendimentos que já foram propagados, creio que a igreja deve limitar-se a opinar sobre assuntos que a ela competem. Deve haver um entendimento lógico que as pessoas são plurais e ninguém escolhe ser quem é, ou seja, uma coisa é pregar, outra coisa é impor. O boicote verdadeiro acontece com a indiferença, em outras palavras; se eu não gosto, eu não vejo, não acompanho, não compro, não divulgo e ponto! LGBTQIAPN+ sempre existiram, não foi o mundo que mudou, foi a globalização, informação e tecnologia que deu visibilidade a todos, inclusive às igrejas (principalmente aos erros e crimes que foram e são cometidos sempre). A igreja aos poucos está perdendo o poder de manipulação sobre as pessoas (o que é maravilhoso), quem pensa, escolhe, opina, vota com consciência. O problema não é a roupa, é o medo que a inclusão e a naturalização de comportamentos traz em ameaça ao poder manipulador que a religiosidade impõe.
Em resumo, não concordo com o posicionamento de Ana Paula simplesmente porque é nulo, a burrice de trabalhar em prol de quem eu quero derrubar kkkkk. A salvação bíblica é individual, então lute pela sua e deixe o outro seguir seus próprios rumos.


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