terça-feira, 24 de maio de 2016

Ana Paula Valadão e a "santa indignação" x As manifestações contrárias na Internet

    Esta semana a divulgação da nova coleção unissex da C&A de roupas sem gênero causou a indignação e o descontentamento de muitas pessoas (falo especificamente dos evangélicos), inclusive a cantora gospel Ana Paula Valadão, que divulgou nas redes sociais (Facebook) a sua indignação pelo que ela classificou como ideologia de gênero, e sugeriu aos seus seguidores que promovessem um boicote na loja, para que ninguém comprasse seus produtos e nem os referentes a linha de roupas da campanha.
    Imediatamente muitas pessoas condenaram e atacaram a cantora com palavras contrárias e muitos ataques. Esse movimento de protesto da rede, foi intitulado como “vomitaço”. Muitas pessoas se manifestaram nas redes sociais como: Instagram, Youtube, Twitter e demais. A Youtuber Transexual Amanda Borges do canal Mandy Candy o qual eu sigo e gosto muito, expressou também a sua opinião contrária a fala de Ana, com muito conhecimento de causa, colocando os evangélicos como uma laia que se mete na vida de todo mundo, não dando direito às pessoas a serem o que são, sendo que nem todos os evangélicos concordam com a posição de Ana Paula (não se  pode generalizar) É aquela velha frase: nem todo evangélico, mas sempre um evangélico kkkk.

(Ana Paula Valadão e um trecho do seu pronunciamento no Facebook, essas figuras representam o vomitaço)

    Agora de forma imparcial e equitativa vou expressar a minha opinião sobre o ocorrido. Acredito que a opinião de Ana Paula Valadão ou de Mandy ou de qualquer outro cidadão é um direito legítimo de um país democrático assegurado pela Constituição Federal de 1988. Mas toda opinião deve ser pautada de conhecimento de causa e racionalidade e ciência de  consequências.
    Ana Paula Valadão como cidadã expressou sua opinião, mas a meu ver, opinião que  ninguém pediu. Esse tipo de manifestação é estupida e sempre causa em todos os casos, efeito reverso. Quando você fala mal de alguém pedindo para que seja feito boicote, a maioria das pessoas vai atrás do alvo em questão para  saber do que se trata (nesse ponto o engajamento  de quem era para ser boicotado já aumenta) e aquilo que era pra ser negativo passa a ser positivo. Em contrapartida, os apoiadores da causa somam esse  engajamento negativo trazendo muito mais engajamento, entende? Foi isso que Ana Paula conseguiu, aumentar ainda mais a porcentagem das vendas da C&A. Sobre a fala da Mandy, durante muito tempo eu achei um pouco radical, mas depois eu fui perceber que foi bem a  altura da violência que foi cometida conta a população LGBTQIAPN+.  A  questão aqui  não são as roupas, é a invalidação e a negativa de toda uma população em existir  e  ter espação, simples assim.  Ela como mulher  trans bem sabe como a letra T da sigla sobre e é privada em todo tempo de sua  subsistência. 

(Amanda Borges, a Mandy Candy do canal Mandy Candy no YouTube)

        Não é privilégio, andar na rua, comer, estudar e trabalhar, é necessidade. Sentir-se parte da sociedade, incluso em  todos os aspectos é um direito. Com base na evolução de pensamentos e tantos entendimentos  que  já  foram propagados, creio que  a igreja deve limitar-se a opinar sobre assuntos que a ela competem. Deve haver um entendimento lógico que as  pessoas são plurais e ninguém escolhe ser quem é, ou seja, uma coisa é pregar, outra coisa é impor. O boicote verdadeiro acontece com a  indiferença, em outras palavras; se eu  não gosto, eu não vejo, não acompanho, não compro, não divulgo e ponto!  LGBTQIAPN+ sempre existiram, não foi o mundo que mudou, foi a globalização, informação e tecnologia que deu  visibilidade a  todos, inclusive às igrejas (principalmente aos erros e crimes  que  foram e  são cometidos sempre). A   igreja aos   poucos está perdendo o poder  de manipulação  sobre as pessoas (o  que é maravilhoso), quem pensa, escolhe, opina,  vota com consciência. O problema não é a roupa, é o medo que a inclusão e a naturalização de comportamentos traz em ameaça ao poder manipulador que a religiosidade impõe.  

    Em resumo, não concordo com o posicionamento de Ana Paula simplesmente porque é nulo, a burrice de trabalhar em  prol de quem eu quero derrubar kkkkk. A salvação bíblica é individual, então lute pela sua e deixe o outro seguir seus próprios rumos.

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